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Macega

Vou conjurar contra tuas dores E te conjugar na minha pessoa Tu és a que caçoa, a que zomba E tomba de risos do meu cortejo. Ainda assim, Permita-me concluir a teu respeito Na medida em que, sem despeito, Abrires teus receios. Vem donzela anil, diz-me teus desejos, Oferta-me o seio do teu afeto puro. Há sim desespero em sentir Mas deixe, o tempero haverá de vir Na tua pele, Na minha reza, No teu credo, Feito aposta cega Que acalenta desengano. Ah! daninha em terra semeada, Nos panos amassados Tive os sonhos perturbados E eras complacência crua. Perfurei outros espaços, Consolei-me nos abraços E até pensei em outros braços Que não valeriam o dispêndio. Nos planos sussurrados Tive os prazeres aguçados E eras de outra Lua.

Do Mar

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Assim, compasso bossa nova esfregando tua derme na minha pra ver se tonaliza rosa. Vou brincar de escorregador pelos declives do teu corpo costurar desejos descartar idade deslizar nas avalanches da felicidade. Tem de ser agora, antes de ontem ou desde o momento em que outrora já detinhas sentimento por mim. Mas por enquanto permito que defendas minha causa, desnude minha vida corte minhas asas, e se em breve tempo agradar-te de outra demito minha alma, ressuscito meu carma e sigo só carne. Enfim, sou isso, torto e poeta como tu: Na realidade de qualquer um na vida de todo mundo. Mas nunca estou presente, não perpassa minhas vivências e nem sequer escrevo, é o personagem que se narra. (Como agora: ele ama-te.)

Elisão

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Pensamentos pobres com retoques nobres. Profissão de esculpir atos lícitos e cenas pudicas. Exercício de acumular pedidos, promessas, Dores e visões do porvir. Cumpridos e compridos. No sótão enferrujam as algemas do meu sentir Guardo banhado de pó tudo que jaz repousando, Regado de ódio um tanto e outro, ainda amando. Amasso-me na cadeira e o suor salgado e quente Desvia do controle dos meus poros Escore e lava meu caráter visigodo. Enternecido, lanço mão de alguns truques mágicos Angariando ouro, prata e adeptos causais de precipícios. Sorrio maligno.