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"Não se deve falar demais, quando se deve falar de menos."

Eclipse Oculto - Carta*

"Eu sou só um cara? O garoto que não sabe escolher os próprios perfumes, não sabe que nome daria a um filho, de tempo sempre curto, que não pode exceder, não dá pra ficar mais; mas você se importa se isso for parte de mim? Se importa. Eu sei. Mas tudo bem, afinal, só mais um cara perdido, poderia ser eu ou o homem que lhe pediu a hora na rua, o mendigo, o guarda, o vendedor de abacaxi, ou qualquer um. Não é? No tempo que decorreu e nas mudanças que ocorreram, já contei de você, e claro, você já falou de mim. Tudo bem, são aqueles momentos em que uma afinidade recente te deixa a vontade pra derramar as fatalidades, e eu, sim, fui uma destas. Mas você bem sabe que quando fala de mim, não fala de mim, fala de outro, outro que você resolveu tornar, com minha total confirmação, o preâmbulo mal escrito de uma narrativa inacabada. Ainda, o fato de a tanto não ver os traços e trejeitos, facilita-lhe me tornar um personagem real distorcido na convicção dos seus próprios dizeres. No s...

Da falta de Inspiração

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“ O s artistas, na verdade, têm períodos que ficam sem "expiração", já que é relativo a expelir. Normalmente quando sentado junto do seu sentimento mais forte e recente ele exprime tudo que há no coração retorcido. Caso não ocorra, é porque há uma atmosfera adversa demasiadamente inóspita, da qual ele inspira ofegantemente ares feitos de morbidade poética. Então, sua "expiração" se anula e murcha a palavra, desventura feita! Não que ele desanime, tente suicídio verbal ou tome alguma outra medida dramática; só percebe que a vida sem “emoções zombeteiras” é uma novela da busca inútil do sentido.”

Deixe que se faça

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Acenda a luz, Eu não posso sonhar no escuro. Acenda a luz, E ilumina as cores de um novo mundo. Que é Nosso.

Das Riquezas

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S into-me, hoje, diante de um prato exótico de um restaurante de luxo, analisando a probabilidade do manjar conter lesmas, antes de ingeri-las é claro. Sei que certamente é algo que vai além de uma massa destroçada com molho denso generosamente respingado de cores diversas e artisticamente enfeitado com folinhas de hortelã e uma casquinha de canela. Além disso, tem-se o garçom enrijecido, devido à vestimenta, servindo com falsa simpatia os freqüentadores que pretendem demonstrar o potencial do cartão de débito, degustar os sabores da adega requintada e conversar sobre coisa ou outra para que o silêncio não perturbe as verdades reprimidas. Sinto-me plebeu que encontrou tesouro, e, contudo, ainda não aprendeu se portar ante os requintes quase esdrúxulos de uma vida que jamais deve pertencer-lhe. A riqueza de um homem deve ser avaliada pelo brilho esperançoso que há nos seus olhos, pela ausência de auto-repreensão em seus atos, pelo sentimento que regra seus dizeres.

Pelo Inebriado

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A minha causa, Perde-se nas paredes Do quarto da tua casa. Meus valores, Diluídos no corpo extasiado, Confundem-se, dissipam, Nos teus cabelos, apelos, E todo o mais...

Mau estado de estar

Dias nublados No jardim da minha casa. Dias que faço Ingestão de pedaços, Arrancados quando da passagem próxima, de nuvens tempestuosas. Dias que passam Pela janela da minha sala, De estar. Mal-estar.