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Vai

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“A quatro mãos escrevemos este roteiro para o palco de meu tempo: o meu destino e eu. Nem sempre estamos afinados, nem sempre nos levamos a sério.” (Lya Luft) Eu me arrependo, casei cedo demais. Nem imagino o que os homens tenham que os tornem tão diferentes depois de assumir um compromisso, é como se houvesse uma necessidade de externar as más qualidades, antes inexistentes. O nome dele é Jair, você sabe. É importante lembrar que eu o amo, entretanto é aquele tipo de homem deprimente que chega em casa do trabalho, coloca um calção vermelho, uma camiseta velha e a partir daí seus maiores esforços consistem em ligar a televisão, indagar se o jantar está pronto e roncar até o amanhecer. Pavoroso. Ontem pedi que ele levasse o lixo pra rua, resmungou um pouco, jogou a sacola na lixeira com desdenho, mas levou. Senti-me vitoriosa. O maior problema é que esses meus excessos de coragem não são constantes, a forma como ele age associada ao estresse acumulado do dia me dei...

Faz calor, depois faz frio.

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T erminei com ele. Não dava mais. Acabou. Fui muito tola em perder todo esse tempo achando que a nossa história daria certo. Isto foi o que eu lhe disse quando me ligou pela manhã. Fim. E “felizes pra sempre” fica pra depois, depois do jogo em que o grêmio ganhar fora de casa. Não queria ser uma mosca nem um mosquitinho pra ver a cara que ele fez, fico em corpo feminino que está mais desejável. A curiosidade não é tanta, certo? Depois disso não consegui mais pensar ou comer algo direito, tive de ir correndo ao cartório fazer a venda de minha moto no intervalo do almoço. Quero investir um pouco mais no meu apartamento, contratar uma empregada, quitar as parcelas vencidas, comprar um colchão novo e alguns vinhos de boa safra. O rapaz foi engraçado, aquele que me atendeu. Tinha uma voz grave, bem sonante, e brincava enquanto fazia as perguntas do cadastro, fui simpática também, não se pode perder a chance de deixar boa impressão, além do mais hoje é sexta-feira e à noite vou sair pra ...

Sem grilos de mim

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N ão peça pra Ganhar aquilo que você nem sabe se Compraria. Viu Flor, não posso ir de encontro às vontades que bem gostariam de serem libertas. E se eu não for nada do que você imagina? Essas moçoilas que me elogiam não sabem o que dizem, nem sequer descobriram como usar os lábios quando postos ao calor do outro. E também, o que você pensa? Como vou saber o que se passa por detrás destas lentes novas, o que você tem visto por ai? O que tem incitado sua libido? Estive pensando, enquanto conversávamos de zodíaco: presente bom é aquele ideal, o que se encaixa no nosso molde consumista, que será usado até que o desgaste termine-o. Se não for assim é “lembrançinha”. Certo, também é interessante, a intenção é valorosa, mas chama-se assim pelo fato de ser algo permanentemente inútil, a menos que o desejo seja lembrar a pessoa que dera, ou, quando muito, do dia. Tudo na vida é assim, não é? Sua última paixão, por exemplo, foi uma lembrançinha, não um presente, senão estaria indo com você compr...

Pensam, os outros.

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S ou independente do alheio. A eles, qualquer cousa é outra. Por isso sou outra cousa Que não o transformismo exato Dos pretextos conformistas. Sussurram meus respeitos: Feitos, desfeitos e insatisfeitos. Contam o que viram, Mas não souberam. Toda verdade, É mentira semeada em solo fértil. Lamento. Segredo. Conclua da semente a fruta, Mas desconheça aroma e doçura. Se percorro o mesmo círculo, Perco meu centro. Se engrandeço minha causa, Fico demasiado pequeno. Sou e me deixo ser. Só.

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Remédio ao soluço? Não há. O mundo não me assusta.

Garden

N ão sou flor que se cheire. Composteira de varanda, estou mais pra março chuvoso que abril nos dias de maio. Pára-raio de submarino escondido do castigo aos pecados tempestuosos. Não sou flor de quintais bacanais por pólen no vento. Sou mais, sou forte de aço mordaz por agente de feitos. Meu cheiro de jasmim desaparenta não há, nem é enfim, de açaí ou mulher. Só sei, que não sou flor que se cheire. O que se faz de mim, então? Enfeite.

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S e eu durmo, eu esqueço. No sono as idéias se desprendem de mim e se transformam em sonhos. Meu travesseiro esconde tudo em suas fibras, Maldito!