H á quem prefira o silêncio e vive em sua caixa de sapato fechada na prateleira, rezando para que a poeira não cubra o coro da sua feitura: desdobramento de um argumento de Letícia. Porém vai bem à frente disso, e por xingamentos e pedidos de amigos, leitores e paixões de palmas suando frio, resolvi pagar o preço da crítica e da emoção instantânea re-ofertando os comentários dos passageiros que me passam. Comente quando quiser, o meu usufruir será farto, aos que enviam e-mail e preferem dos laços mais estreitos, cá estou abanando um olá!
Rateio a mim mesmo, despedaço-me quando enfermo, e, às vezes, sinto vergonha de ser humano. Nessa correria tamanha, tenho o tempo de sobra escapando pelo ralo, fico renovando gargalos de vinhos nem tão finos e compreendendo destinos dos que já passaram por mim. Se me questionassem o que já vivi diria: um grande amor, uma grande decepção e centenas de outros dias que se sucederam. Sim, eu entendo que nada possa ser tão trágico e lamentável, mas não obtive nenhum estímulo razoável, para otimismos sentimentais. Poderia comprar um carro, tomar um porre e ter alguns surtos psicóticos normais, tudo estaria certo. Então o fiz. Gastei gasolina, entupi-me de bebida e dei motivo para alguns risos. Tentava era fugir um pouco, dizer: eu amo este mundo inteiro, MAS PRECISO VIRAR TATU POR ALGUNS DIAS! Esconder-me na toca, repousar no subsolo dos sentimentos consistentes. Quero estar só e quieto lendo versos e reversos de moças poéticas, estatuindo faces renovadas para minha arte desgastada e palavr...
N ão peça pra Ganhar aquilo que você nem sabe se Compraria. Viu Flor, não posso ir de encontro às vontades que bem gostariam de serem libertas. E se eu não for nada do que você imagina? Essas moçoilas que me elogiam não sabem o que dizem, nem sequer descobriram como usar os lábios quando postos ao calor do outro. E também, o que você pensa? Como vou saber o que se passa por detrás destas lentes novas, o que você tem visto por ai? O que tem incitado sua libido? Estive pensando, enquanto conversávamos de zodíaco: presente bom é aquele ideal, o que se encaixa no nosso molde consumista, que será usado até que o desgaste termine-o. Se não for assim é “lembrançinha”. Certo, também é interessante, a intenção é valorosa, mas chama-se assim pelo fato de ser algo permanentemente inútil, a menos que o desejo seja lembrar a pessoa que dera, ou, quando muito, do dia. Tudo na vida é assim, não é? Sua última paixão, por exemplo, foi uma lembrançinha, não um presente, senão estaria indo com você compr...