Escrever é uma necessidade fisiológica, como ir aos pés, lembro do meu pai com essa expressão substitutiva do defecar. Faz frio por aqui, frente a essa tela; interessante que as letras surgem sem medo nesse papel protótipo branco e hostil, assim, como se tivessem ensaiado uma dança de acasalamento, vão aglomerando-se aos poucos na parte superior e conforme as batidas do coração do poeta crônico e cronista, elas aumentam no volume, e mais, e mais, até que um parágrafo exploda e faz o último ponto na costura do primeiro retalho, que era a primordial idéia libertina.
Agora as coisas mudaram, então não mais livre, ali está, presa no papel e amarrada ao corpo do texto, toda a vivência louca de associação dissociada com dizeres e visões sem nexo e tortas, é passado. Pense por hora, santo deve ser o ponto, ou poderoso devo dizer? Discussão alguma vai além de sua barreira baixa e tênue, e na tentativa do além, tropeças e cai.
O incrível, porém, em escrever, é o dizer tão moldado e esb...