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Amar é simples
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Ronca pra eu ter certeza que está viva, teu sono cansado e longo no meu peito lembra que a tenho perto. Teus pulmões inflam prazerosamente e tuas mãos se abrem numa entrega extrema, exausta de corpo inteiro tuas pálpebras tombaram enquanto meus dedos se perdiam nos teus cabelos. O ar que respiro faz a voz grave que te agrada quando falo tudo que meu jeito bêbado demonstra errado. Trepar uma grande goiabeira florida, trazer a vitória de não ter caído e a palavra que é coragem em habraico. Amar é simples um hífen e já é ex- Mas não foi, então, amor de todo porque tudo fica mudo diante do absurdo de amar ex- tremamente.
pornografia própria
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Oh, Maria, como tu és ambígua. Falas da lira, da sátira e do calor que faz na extremida sul, do ardor na tua sri lanka e quando vejo, à margem do tejo, toda água que na terra falta surge no teu corpo que se arqueia ao céu num movimento quase saudosista ao prazer. Quero falar de sexo - diz. Tua mão sutil vai abrindo o zíper sem desviar os olhos dos meus, logo percebo tua boca quente iniciando um diálogo incandescente com meu membro enrijecido, sinto calafrios que transcorrerem minha espinha dorsal em toda sua extensão. Sem parcimônia, interrompendo a conversa, afasto tuas pernas e travo outra gruerra espermática, acaricio teus seios, tua vagina que logo em seguida avança sobre mim para teu exercicio de pompoar. Subir-descer variando os ângulos dessa trigonometria atritosa e sonora, quase teatral nas expressões, inventando uma pornografia própria, um jeito sem vergonha de transar conceitos novos de climáx no trópico leonino em que o ar alimenta o fogo. De quatro le...
Eu busco almas vivas
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E a gente precisa descobrir que não serve para ser modelo, não leva jeito para cantar, que não tem tanta habilidade para o futebol, e o mais difícil é que possamos saber nossas insuficiências - se é que pode ser chamado assim -, sem que sintamos como se tivessem roubado nossos sonhos. Não é possível que todos façam sucesso, sejam ricos e sejam lindos, porque realmente não há padrão entre as pessoas, somos diferentes nessa forma única de viver e perceber a vida. A conquista é transpor essa névoa de vontades indefinidas, de características pessoais inexploradas e chegar ao que chamamos de dom, trabalhar tudo que cativa nosso ânimo, fazer-se instrumento da felicidade. Por essa razão que escolher o curso na universidade é dificultoso e arrumar um local satisfatório para trabalhar é complicado, porque nós somos adaptáveis pelas arestas desbastadas, porém, o âmago jamais será algo diferente daquilo que já é. O ruim dessa história é que não conseguimos fugir do dinheiro, p...
Clara Inocência Fagundes
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Acusaram-te. Sequer pediram tua razão ou vontade, agora reprimida. Intumesceram teu sexo, regozijaram teus dias e prenderam-te solitária, por fim. O cárcere vigiado pela culpa é abrigo perpétuo dos instintos inconsequêntes quiçá reparados pelo tempo. Transformaram teu afeto em peças de memória longínqua, criaram agonia e rebelaram tua ira contra o mundo que das tuas infelicidades mal sabia. Então, como quem supera os acidentes no relevo da vida, prosseguiste ungida de esperança posta à frente com vestido e tranças, disposta a tentativas e revanches a fim de tornar-se nova mulher ou para todo sempre criança.
"napoletana"
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Acordei e a vi pela janela na rua de paralelepípedos cinza, seus cabelos esvoaçavam ligeiramente enquanto já ia entrando no carro. Ainda de cuecas e rosto amassado, estiquei o lençol e ajeitei os travesseiros. Vesti as calças, um moletom e deixei a cafeteira exalando o cheiro de café enquanto buscava pães na venda da esquina. Bati a porta, desci e subi as escadas rangentes, depois catei um livro velho na estante, sentei-me na poltrona e o mantive fechado nas mãos, não desejava história alguma. Queria uma presença permanente, não o rastro do escapamento de um carro desaparecendo no horizonte, ainda tenho planos de ter um apartamento e não trabalhar, ser um vadio, artisticamente iludido de que minha esperança e vida é arte pura rumo da felicidade. Palavra e pincel, quadros e livros. Abriria a porta quando voltasses ao fim do dia, sentaríamos à cobertura desse prédio de uma pouco movimentada via tradicional italiana, e beberíamos do nosso afeto enquanto o sol desabava vagarosamente por...